Sábado, 9 de maio de 2026

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Notícias Mato Grosso

INVESTIGAÇÃO NA CÂMARA

Ten. Coronel Dias questiona contrato da CS Mobi e levanta suspeitas sobre fiscalização de licitação milionária

Vereador afirma que empresa responsável por validar parte dos pagamentos é contratada pela própria concessionária e critica junção de diferentes serviços em um único processo licitatório.

O vereador Ten. Cel. Dias (Cidadania) voltou a levantar questionamentos sobre o processo licitatório envolvendo a CS Mobi e afirmou que a nova fase de apuração busca investigar possíveis inconsistências na condução da licitação que originou o contrato milionário.

Segundo o parlamentar, o foco da chamada “CS Mobi 2.0” não está no contrato em si, mas na forma como a concorrência pública foi estruturada e conduzida.

Entre os pontos considerados mais preocupantes pelo vereador está a atuação do chamado “verificador independente”, responsável por analisar se a empresa cumpriu as metas previstas antes da liberação de parte dos pagamentos.

Conforme explicou Ten. Cel. Dias, cerca de 10% do valor contratual depende dessa validação técnica. No entanto, ele criticou o fato de o próprio fiscalizador receber pagamento diretamente da empresa que deveria supervisionar.
“Como alguém que precisa fiscalizar com independência pode ser remunerado pela própria empresa que está sendo avaliada?”, questionou o vereador durante o pronunciamento.

O parlamentar comparou a situação a um conflito de interesses e afirmou que a estrutura do modelo levanta dúvidas sobre a imparcialidade da fiscalização.

Ainda segundo ele, o contrato envolve cifras que chegam à casa dos R$ 700 milhões, valor que, conforme ressaltou, será custeado com recursos públicos.

Outro ponto destacado pelo vereador diz respeito à participação da empresa vencedora em etapas anteriores da elaboração da licitação. Para ele, há necessidade de aprofundar a investigação sobre a atuação da concessionária durante a construção dos editais e documentos técnicos.

Ten. Cel. Dias também criticou a decisão de reunir, em uma única licitação, três áreas completamente distintas: a obra do Mercado Municipal, o sistema de estacionamento rotativo e a requalificação de calçadas.

Na avaliação do parlamentar, a unificação desses objetos precisa ser esclarecida, principalmente porque, segundo ele, não teria ficado comprovado benefício econômico para o município.
“Estamos falando de construção civil, tecnologia e urbanização dentro do mesmo pacote. Precisamos entender quem decidiu isso e por quê”, afirmou.

O vereador ainda fez críticas ao modelo de exploração comercial do futuro Mercado Municipal, afirmando que o espaço ficará sob controle da empresa privada por um período de 30 anos.

Segundo ele, os comerciantes que ocuparem o empreendimento irão pagar diretamente à concessionária durante todo esse período.
“A população vai financiar esse projeto por décadas enquanto a exploração econômica ficará nas mãos da empresa”, declarou.

Ao encerrar a fala, Ten. Cel. Dias afirmou que as investigações continuarão para identificar responsabilidades e esclarecer os critérios adotados no processo licitatório.
 
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